QB63 Venha Comigo (Parte 3)
“Levanta-te, meu amor, minha linda, e vá embora“. SOS 2:13
Da última vez, entramos no romance encontrado no Cântico dos Cânticos e fizemos a conexão alegórica entre o amor apaixonado descrito nesses oito capítulos felizes e o amor fervoroso que Jesus tem por nós como Sua Noiva. O convite para o romance é feito pelo Amado, que nos ordena “Levanta-te, meu amor, meu belo, e vem comigo“, e ainda assim, se quisermos responder, devemos saber como, e se queremos partir com Ele, devemos saber onde Ele está para que possamos seguir. Agora, tudo isso pode parecer muito estranho, já que poderíamos dizer que já o encontramos. Mas se sim, então onde? Onde está Aquele que é mais belo que dez mil? (SOS 5:10) A mulher Shulamita conhecia intimidade com seu Amado, mas depois não soube para onde Ele havia ido.
1 Na minha cama, à noite, procurei aquele que minha alma ama; Procurei-o, mas não o encontrei. 2 Vou me levantar agora e andar pela cidade, pelas ruas e pelas praças; Buscarei aquele que minha alma ama. Eu o procurei, mas não o encontrei. – Sng 3:1-2 ESV
Da mesma forma, podemos contar com momentos passados de encontro alegre para nos sustentar, sem a gratificação do amor no momento presente. Você sabe onde está seu Amado? Ah, sim, sabemos pela fé onde Ele está, mas isso não é tão simples quanto pode parecer à primeira vista. Claro, acreditamos que Jesus vive em nós e não estou sugerindo o contrário, mas por que às vezes podemos nos sentir tão distantes Dele, ou Ele de nós? Pela mesma fé que temos em Jesus como nosso Salvador, aguarda um encontro mais profundo, pleno, vibrante e apaixonado com Ele como Amante de nossas almas. Hebreus 11:1 não nos ensina que a fé é a substância das coisas esperadas para a evidência das coisas não vistas? Sim, a fé não só concede a certeza certa da nossa esperança em Jesus como Noivo, mas também traz a prova desse romance: quando o invisível, a concepção do amor fervoroso, se torna inegavelmente real. Veja, a salvação não é apenas sobre redenção e restauração do pecado e separação de Deus; a obra eterna da Cruz nos trouxe muito mais. Ela nos posicionou e preparou para a união e um romance ardente como Sua Noiva.
Então, onde está Jesus para que possamos estar com Ele? Onde buscamos Aquele que nossa alma ama? Como podemos sequer começar essa jornada para uma vida mais profunda e íntima? Essa é a pergunta com a qual todas as almas sedentas estão bem familiarizadas e sabem quão rápido a mente postula para oferecer uma resposta. No entanto, sejamos claros: qualquer suposta descoberta feita nos tribunais externos do nosso pensamento, infelizmente, deve permanecer, na consciência periférica, para enfrentar mil outros pensamentos que a oponham. Nenhuma mente terrena é capaz de apreender uma revelação do Senhor por si só. Se nossa busca pelo Noivo for de racionalidade, falharemos desde o início e nenhuma reflexão persistente ou raciocínio interminável nos levará a encontrá-Lo. Mas devemos encontrá-Lo se quisermos responder ao Seu chamado que nos ordena: “Levanta-te, meu amor, meu belo, e vem embora“. O que devemos fazer então? Estamos sem solução? Felizmente não! Então o que estou dizendo? Bem, para responder a isso, vamos ler a carta de Paulo aos Coríntios:
9 Mas, como está escrito, “O que nenhum olho viu, nem ouviu, nem o coração do homem imaginou, o que Deus preparou para aqueles que o amam” — 10 essas coisas Deus nos revelou pelo Espírito. Pois o Espírito busca tudo, até mesmo as profundezas de Deus. 11 Pois quem conhece os pensamentos de uma pessoa senão o espírito dessa pessoa, que está nele? Assim também, ninguém compreende os pensamentos de Deus exceto o Espírito de Deus. 12 Agora não recebemos o espírito do mundo, mas o Espírito que é de Deus, para que possamos entender as coisas que Deus nos deu livremente. 13 E transmitimos isso em palavras não ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito, interpretando verdades espirituais para aqueles que são espirituais. 14 A pessoa natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois são tolice para ela, e ela não consegue compreendê-las porque são discernidas espiritualmente. 15 A pessoa espiritual julga todas as coisas, mas não deve ser julgada por ninguém. 16 “Pois quem entendeu a mente do Senhor para instruí-lo?” Mas temos a mente de Cristo. – 1Co 2:9-16 ESV
Essa passagem perspicaz ressalta a incapacidade do homem, seja pela visão, audição, imaginação ou compreensão, de compreender algo além do que lhe é imediatamente evidente por seus sentidos, mente ou espírito. Um está simplesmente além do alcance do outro. Ou seja, as profundezas invisíveis do coração e da mente de Deus estão além do discernimento de nossas faculdades naturais. E ainda assim, o Senhor se revelou a nós por outro meio, aleluia! O que nasce da carne é carne, e o que nasce do espírito é espírito. (João 3:6). Quando nascemos de novo, fomos vivificados pelo Espírito Santo, que trouxe vida espiritual ao nosso espírito, alma e corpo.
Nossas mentes foram sobrenaturalmente capacitadas pelo espírito de Deus para discernir os próprios pensamentos e a mente de Cristo. Essa mente renovada se entrelaça para se tornar uma com a Sua e, através dessa interseção, toda revelação e compreensão fluem.

Então, esta é a resposta para a pergunta que fiz anteriormente. Encontraremos nosso Amado, que nos chama a levantar e a sair com Ele, sob aquilo que é temporal e de nossa carne, nas câmaras mais profundas de nosso corpo, que foi vivificado pelo Espírito do Deus Vivo.
Toda inspiração Divina reside na mente renovada, na mente do nosso espírito e não na mente da nossa carne. Essa mente renovada é a mente interior. Não são os pensamentos incansáveis em nossa cabeça, mas o conhecimento intuitivo de um coração em repouso e vivificado pelo Espírito de Deus. Ainda assim, um é mascarado pelo outro. Aquilo que está no coração não exige nem compete por nossa atenção, não grita, mas sussurra baixinho dentro de si e espera que o curioso disposto venha antes de revelar seu conhecimento e pérolas de sabedoria. Enquanto, por outro lado, o desejo pela mente externa raramente é satisfeito; seu desejo egoísta ameaça sem fim à inquietação. Mas, assim como o valentão no parquinho, a mente externa precisa ser confrontada e seus surtos selvagens domados se quisermos algum dia nos livrarmos de seu assédio. Esta é a disciplina espiritual do silêncio, a abertura de um novo caminho para acessar a mente interior, onde não há deliberação ou busca por respostas, nenhuma maquinação, medo ou incerteza. Por quê? Porque aqui, nas profundezas do coração humano, é onde a mente de Cristo está alojada, uma mente que sabe que tudo está por trás do clamor do pensamento periférico. É aqui que nosso Amado nos espera, é aqui que nossa jornada deve começar.