QB87 O Arrebatamento sob a Perspectiva do Apóstolo Paulo
O debate em torno do momento do arrebatamento tem sido tanto divisivo quanto antigo. Ao longo dos anos, parece que a igreja permaneceu polarizada sobre essa questão, com os defensores de um arrebatamento pré-tribulação, na minha experiência, frequentemente adotando uma postura particularmente agressiva. É compreensível, na verdade. Diante da perspectiva assustadora das tribulações profetizadas nas escrituras, é reconfortante considerar que Deus, em Seu amor, pouparia Seus fiéis de tais perseguições e problemas. Essa perspectiva, que defende a remoção da igreja da terra antes do início da grande tribulação, encontra apoio de vozes influentes e líderes com alcance global, impactando milhões. No entanto, ao ouvir esses professores populares, muitas vezes me surpreendi com a retórica que às vezes se desvia do que a Bíblia realmente ensina — e do que ela não ensina. Por exemplo, quantas vezes já ouvimos “o leão deitará com o cordeiro” como anedota do reinado milenar? Eu já fiz, e muitas vezes quando defendo um arrebatamento pré-tribulação. É uma imagem pitoresca, evocando uma sensação de harmonia e paz. Mas aqui está o porão: a Bíblia na verdade não diz isso. Pode ser uma surpresa, mas se você examinar por si mesmo, não encontrará tal verso. A semelhança mais próxima com essa imagem está na profecia de Isaías:
“O lobo também habitará com o cordeiro, O leopardo deitará com o jovem bode, O bezerro e o jovem leão e o engordado juntos; E uma criança pequena os liderará. A vaca e o urso pastarão; Seus filhotes deitarão juntos; E o leão comerá palha como o boi.” – Isaías 11:6-7 (NKJV)
Embora seja tentador presumir que o sentimento do leão deitado com o cordeiro possa ser inferido a partir da imaginação de Isaías, isso permanece apenas — uma presunção. É fácil interpretar no texto algo que não é explicitamente dito. Mas por que isso importa? Porque quando lidamos com questões importantes como o momento do arrebatamento, é imperativo que as abordemos com discernimento e clareza, evitando as armadilhas da retórica e da opinião popular. Permita-me transmitir aqui minha sincera intenção. Respeito profundamente e honro a liberdade que cada um de nós possui para formar suas próprias crenças e opiniões, incluindo as relacionadas ao arrebatamento. Meu objetivo não é alienar ou semear discórdia dentro do corpo de Cristo. Pelo contrário, sou movida por um desejo de prontidão e um chamado para abraçar nosso papel como Noiva, incorporando o espírito de Elias enquanto preparamos o caminho para o retorno do Senhor até o dia de Sua gloriosa aparição.
O discurso em torno do arrebatamento tornou-se confuso e carregado de conjecturas, às vezes desviando-se da base do apoio bíblico. Com sua permissão, proponho que empunhemos a Palavra como uma espada, cortando a névoa para examinar a perspectiva do Apóstolo Paulo. Foi Paulo, afinal, quem articulou o conceito do arrebatamento em sua carta aos tessalonicenses. Vamos analisar suas palavras:
“(15) Por isso dizemos a vocês, pela palavra do Senhor, que nós, que estamos vivos [e] permanecemos até a vinda do Senhor, de forma alguma precederemos aqueles que estão dormindo. (16) Pois o próprio Senhor descerá do céu com um grito, com a voz de um arcanjo e com a trombeta de Deus. E os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro. (17) Então nós, que estamos vivos e permanecemos, seremos apanhados junto com eles nas nuvens para encontrar o Senhor no ar. E assim estaremos sempre com o Senhor. (18) Portanto, confortei-os uns aos outros com estas palavras.” – 1T 4:15-18 NKJV
Esses versos deixam pouco espaço para ambiguidade. Paulo afirma explicitamente que o arrebatamento, referido como estar “em dia”, coincidirá com a ressurreição. Ele enfatiza que os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro, seguidos pelos que estão vivos, que serão apanhados com eles para encontrar o Senhor no ar. Agora, embora haja muita especulação sobre quando será o arrebatamento, muito menos a ressurreição. Como o arrebatamento e a ressurreição são simultâneos, saber o momento da ressurreição nos assegura quando será o arrebatamento, e, portanto, perguntar se o arrebatamento ocorre antes da grande tribulação é como perguntar se há uma ressurreição antes desse tempo problemático também. Neste ponto, alguns sugerem uma ressurreição ocorrendo antes da grande tribulação, mas essa visão carece de suporte bíblico.
Em vez de entrar em interpretações especulativas aqui, já que Paulo foi quem introduziu o arrebatamento, vamos focar em suas crenças sobre a ressurreição, em vez de nossas conjecturas. Felizmente, as escrituras oferecem uma visão bonita da posição de Paulo em relação à ressurreição. Na verdade, foi justamente por essa crença na ressurreição que ele foi preso e interrogado perante uma hierarquia de governantes. Vamos analisar o que o apóstolo Paulo afirmou ao apresentar sua defesa diante de Félix, o governador.
“(14) Mas confesso isto a vocês: segundo o Caminho, que eles chamam de seita, adoro o Deus de nossos antepassados, acreditando em tudo o que a Lei estabeleceu e está escrito nos Profetas, (15) tendo esperança em Deus, que esses homens aceitam por si mesmos, que haverá ressurreição tanto dos justos quanto dos injustos.” – Atos 24:14-15 ESV
Neste momento crucial de defesa de suas crenças diante de Félix, Paulo afirma firmemente sua crença na ressurreição, enfatizando sua lealdade a “tudo que a Lei estabelece e está escrito nos Profetas.” Ao invocar a autoridade da Lei e dos Profetas, Paulo se alinha com toda a escritura do Antigo Testamento, incluindo suas profecias sobre a ressurreição. Isso ressalta a conexão direta entre os escritos proféticos e o momento do arrebatamento, pois eles são intrinsecamente interligados. Para deixar claro neste ponto, vou conectar os pontos da seguinte forma:
Saber o momento do arrebatamento é uma questão de conhecer o momento da ressurreição, conforme previsto pelos profetas do “Antigo Testamento”.
Nessa busca por clareza, vamos nos voltar para as vozes de Isaías e Daniel, ambos não apenas falaram sobre a ressurreição, mas também forneceram insights sobre seu momento. Lembre-se, é exatamente isso que Paulo defendeu com paixão — abraçar “tudo” que os profetas registraram.
“(19) Os teus mortos viverão; [Junto com] meu corpo morto eles se levantarão. Acordem e cantem, vocês que habitam na poeira; Pois o seu orvalho [é como] o orvalho das ervas, e a terra expulsará os mortos. (20) Venham, meu povo, entrem em vossos aposentos e fechem-se as portas atrás de vocês; Esconda-se, por assim dizer, por um momento, até que a indignação passe. (21) Pois eis que o SENHOR sai de Seu lugar Para punir os habitantes da terra por sua iniquidade; A terra também revelará seu sangue, e não cobrirá mais seus mortos.” – Isaías 26:19-21 NKJV
Essa passagem ressoa com a promessa de ressurreição, pois a terra é retratada expulsando os mortos. A imagem de entrar em câmaras e se esconder até que a ira do Senhor passe sugere um período de tribulação que antecede o julgamento final. Embora possa haver alguma ambiguidade quanto à sequência exata dos eventos, a essência da ressurreição entrelaçada com tribulação é evidente. O apóstolo Paulo, sendo bem versado nas Escrituras, certamente teria familiaridade com esses versículos e suas implicações. Apesar das possíveis nuances na sequência de ressurreição e tribulação aqui, Daniel oferece uma perspectiva mais clara.
“(1) “Naquele momento Miguel se levantará, o grande príncipe que vigia os filhos do seu povo; E haverá um tempo de dificuldades, como nunca houve desde que existiu uma nação, [mesmo] até aquele tempo. E nesse momento o vosso povo será libertado, todo aquele que for encontrado escrito no livro. (2) E muitos dos que dormem na poeira da terra despertarão, Alguns para a vida eterna, Outros para a vergonha [e] o desprezo eterno. … (7) Então ouvi o homem vestido de linho, que [estava] acima das águas do rio, quando ergueu a mão direita e a esquerda para o céu, e jurou por Aquele que vive para sempre, que [assim será] por um tempo, tempos e meio tempo; e quando o poder do povo santo estiver completamente destruído, todas essas coisas serão consumadas.” – Dan 12:1-2, 7 NKJV
Aqui, a sequência de ressurreição e tribulação (conhecida como o problema de Jacó) é clara. A ressurreição dos justos e dos injustos ocorre após três anos e meio (tempo, tempos e meio tempo). Jesus também ensinou sobre essa colheita do fim dos tempos em sua parábola da rede de arrastamento de Mateus 13:47-50, uma reunião tanto dos justos quanto dos injustos no fim da era.
Portanto, se a ressurreição vem após a tribulação, então o arrebatamento também deve acontecer.
Na minha opinião, essa interpretação oferece a leitura mais simples da narrativa bíblica, sem necessidade de conexões bíblicas forçadas ou vieses pessoais, e deixa as escrituras falar por si mesmas.
Em conclusão, a perspectiva do Apóstolo Paulo sobre o arrebatamento, intrinsecamente entrelaçada com suas crenças na ressurreição, oferece profundas percepções para os crentes que navegam pelas complexidades da teologia dos tempos finais e pelo desenrolar da profecia em tempo real. Se aderirmos ao ensinamento de Paulo sobre o arrebatamento, então também devemos aderir à sua crença apaixonada sobre a ressurreição, que ele conectou tão veementemente a tudo o que os Profetas haviam escrito. Ao fundamentar nosso entendimento nos ensinamentos de Paulo e alinhá-los com as profecias do Antigo Testamento, ganhamos clareza sobre o momento e a importância desses eventos escatológicos e uma base sólida sobre a qual podemos nos sustentar. Ao ouvirmos o chamado de Paulo para abraçar a totalidade das escrituras, incluindo a Lei e os Profetas, encontramos segurança na mensagem consistente do plano redentor de Deus se desenrolando através das gerações e um plano a seguir.
Não estamos sem uma causa. Há preparativos essenciais a serem feitos, não apenas pessoalmente, mas também na parceria com o Céu e na luta pelas nações.
No mundo de hoje, com toda a tragédia e tristeza que testemunhamos diariamente, devemos também ter confiança de que fomos chamados para um momento como este. Que possamos abordar essas questões com humildade, discernimento e um compromisso firme com a verdade, aguardando ansiosamente a bênção do retorno de Cristo e nossa união eterna com Ele.