QB88 Entendendo o Oriente Médio (Parte 3)

July 24, 2024

Nesta série até agora, “Entendendo o Oriente Médio” (QB84 e QB85), destaquei a natureza da batalha espiritual que preside os eventos que se desenrolam no Oriente Médio. Um complexo tecido de fios proféticos e geopolíticos está sendo tecido tanto no reito visto quanto no invisível. A reconciliação entre os antigos oráculos bíblicos e os eventos mundiais atuais está se tornando cada vez mais clara, com qualquer névoa sobre a narrativa escatológica se dissipando como névoa matinal queimada pelo sol nascente. Um desfecho específico aguarda—uma culminação de tudo o que aconteceu antes, convergindo para uma conclusão final. O Oriente Médio, com Jerusalém como prêmio supremo, é a arena onde esse desfecho está se desenrolando.

Mesmo uma leitura casual dos ensinamentos de Jesus sobre os tempos finais e as cartas dos apóstolos não deixa dúvidas: há problemas pela frente. O apóstolo João, encarregado de registrar o Apocalipse, revela que as coisas vão piorar muito antes do triunfo final do bem sobre o mal. Quando o Senhor Jesus Cristo retornar na plenitude de Sua majestade, poder e autoridade, Ele completará Sua missão messiânica, trazendo salvação a todos aqueles prontos e esperando por Seu glorioso retorno. Esta é a esperança eterna à qual todos fomos convidados — não no que é agora, mas no que será o resultado final. Não importa o sofrimento desta vida, uma glória espera aqueles que depositaram sua fé em Jesus Cristo que supera em muito as provações temporais que enfrentamos.

A Disputa sobre a Terra

Um dos fios centrais desse tecido é a disputa sobre a terra, onde reivindicações históricas deixam pouco espaço para harmonia, e os direitos geopolíticos e religiosos se confundem. Consequentemente, o mundo parece agora mais polarizado do que nunca em relação a Israel e à Palestina, com uma solução duradoura além das aspirações da maioria. Meu objetivo nesta série não é defender um lado contra o outro. Não quero ser polêmica nem polarizar ainda mais opiniões — longe disso! Em vez disso, é dar um passo atrás do labirinto da opinião nas redes sociais e da reportagem geopolítica e examinar seriamente as escrituras em busca de sabedoria e compreensão, para discernir os eventos mundiais com uma bússola calibrada para a Palavra de Deus, e não para qualquer outra agenda ou preconceito. Antes de nos alinharmos com a perspectiva israelense ou palestina, devemos garantir que temos uma visão bíblica abrangente, uma lente pela qual possamos identificar alguns princípios robustos que ajudem a formular uma perspectiva mais clara e processar pensamento e opinião. Dessa forma, evitamos sermos recrutados inadvertidamente para uma campanha que pode alimentar os esquemas sediciosos de Satanás.

Condições Bíblicas para a Restauração

Anteriormente, destaquei como existem condições específicas e uma linha do tempo indicando por que e quando o Senhor cumprirá Sua promessa de trazer Israel de volta de onde ela havia sido dispersa entre as nações. Vimos em Deuteronômio 30:1-6 que um pré-requisito para ativar a promessa de Deus de seu retorno era o retorno prévio de seus corações a Ele, obedecendo à Sua voz conforme tudo o que Ele lhes ordenara. O ônus é de Israel para retornar, de coração e alma, ao Senhor e aos Seus mandamentos, porque a promessa do Senhor de restaurar Israel à sua terra natal depende desse critério.

Desenvolvendo ainda mais esse conceito de restauração, estamos familiarizados com 2 Crônicas 7:14, que diz: “Se o meu povo, chamado pelo Meu nome, se humilhar, e orar, buscar Minha face e se afastar de seus caminhos perversos, então ouvirei do céu, perdoarei seus pecados e curarei sua terra.” Esse versículo amado é usado em muitos contextos, mas essencialmente estabelece a conexão de que o perdão do pecado e a cura da terra são condicionados ao coração do povo, demonstrados por meio do arrependimento e humildade em buscar o Senhor. Conectando essas duas trechos, observamos que:

A restauração não é obra do homem, mas de Deus, e requer a penitência de uma nação para obter Sua misericórdia e evitar o julgamento.

Israel cumpriu essas condições?

Surge naturalmente a questão de saber se essa condição de humildade e arrependimento foi atendida, total ou parcialmente. Embora possa haver algum debate sobre esse ponto, o que podemos ter certeza é que ainda demora o dia em que Israel aceitará Jesus como seu Messias (Lucas 13:35). Pois, como Paulo escreve,

“(25) Para que não sejam sábios diante de vossos olhos, não quero que despercebam este mistério, irmãos: um endurecimento parcial caiu sobre Israel, até que a plenitude dos gentios tenha chegado. (26) E assim todo Israel será salvo, como está escrito: ‘O Libertador virá de Sião, ele banirá a impiedade de Jacó’; (27) ‘e esta será a minha aliança com eles quando eu tirar seus pecados.'” – Romanos 11:25-27 ESV

Esses versículos e outros demonstram que, como nação, Israel ainda não reconheceu Jesus como seu Messias. Esse dia espera quando o Senhor derramará sobre a casa de Davi e os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e súplicas por misericórdia, para que, ao olharem para Aquele que atravessaram, chorem por Ele, como se lamenta por um filho único, e chorem amargamente por Ele, como se chora por um primogênito (Zacarias 12:10 ESV).

A Cura da Terra

Vamos parar e pensar por um momento. Se a cura da terra é um ato de Deus em resposta ao arrependimento de um povo, mas a base para perdoar pecados não é mais pelo sangue de touros ou cabras (Hebreus 10:1-4), mas pelo sacrifício expiativo de Jesus (Hebreus 9:12-14), então, até que Israel aceite seu Messias, isso levanta a questão: como sua terra pode ser curada? Além disso, se as escrituras indicam que a salvação de Israel aguarda o Dia do Senhor, isso significa que a terra deles permanecerá em disputa até que Jesus retorne? Acredito que sim. Portanto, estamos sem esperança de paz no Oriente Médio? Com certeza não. De fato, devemos orar pela paz de Jerusalém (Salmo 122:6-9). No fim das contas, a resposta a essas orações só pode ser encontrada naquele que é o Príncipe da Paz (Isaías 9:6). Mas a paz vem de muitas formas e é alcançável em algum nível quando há disposição para buscá-la de todos os lados.

Conclusão e Visão para o Futuro

Em resumo, desenvolvi o conceito de que a restauração da terra só é possível através da restauração da relação entre Israel e Deus, e a base dessa relação é por meio de Seu Filho, o Messias deles, Jesus Cristo. O princípio aqui é simples: primeiro relacionamento, depois restauração. Isso se aplica tanto ao nível individual quanto corporativo. Por meio de um relacionamento pessoal com Jesus como Senhor e Salvador, nossas vidas são restauradas da escravidão para a filiação, da escuridão para a luz, da morte para a vida. No nível corporativo, uma nação também tem uma relação com Deus. Ele permanece soberano sobre todas as nações e responsabiliza cada uma (Atos 17:26-31). Aqui está o que Jeremias registrou sobre o relacionamento de Deus com as nações:

“Se em algum momento eu anunciar que uma nação ou reino será arrancado, derrubado e destruído, e se essa nação que avisei se arrepender de seu mal, então cederei e não lhe causarei o desastre que planejei. E se em outro momento eu anunciar que uma nação ou reino será edificada e plantada, e se fizer o mal aos meus olhos e não me obedecer, então reconsiderarei o bem que pretendia fazer por ela.” – Jeremias 18:7-10

Tudo o que Deus faz é superado pelos protocolos legais de justiça e justiça. Ele é um Deus que faz e cumpre alianças. Quando Deus libertou Israel do Egito, Ele firmou um contrato de casamento com ela no Monte Sinai. A Aliança Mosaica formalizou a base de sua relação e incluiu condições para a ocupação da terra prometida a Abraão. Além disso, incluía promessas de restauração e retorno à sua terra natal caso fossem despojados devido a qualquer falha no cumprimento de suas obrigações de pacto.

O cumprimento das promessas de Deus depende da aliança em que essas promessas são feitas.

Na próxima vez, exploraremos mais a fundo as implicações tanto do Antigo quanto do Novo Pacto em relação diretamente às tumultuadas hostilidades em Israel e na Palestina. Isso porque as dinâmicas intrincadas do conflito no Oriente Médio estão profundamente entrelaçadas com temas proféticos e de aliança enraizados nas Escrituras. A promessa de terra e restauração está diretamente ligada ao retorno espiritual de Israel a Deus e à aceitação de Jesus como Messias. Embora o cenário geopolítico atual seja carregado de tensão e complexidade, a narrativa bíblica oferece uma perspectiva esperançosa. A restauração e a paz são, em última instância, encontradas no cumprimento das promessas de Deus, centradas em um relacionamento com Ele por meio de Jesus Cristo. Ao nos engajarmos nessas questões profundas, permaneçamos guiados pelas Escrituras, buscando compreender as verdades espirituais mais profundas que informam nossa perspectiva e ações. No fim, a verdadeira e duradoura paz para a região e para o mundo virá através da realização do plano redentor de Deus, que supera todo conflito e divisão humana.