O Caminho do Peregrino
Morando na Cornualha nos últimos vinte anos, muitas vezes me senti profundamente abençoado por viver em uma nação minoritária que ressoa com lendas e tradições cristãs. Há algo antigo e sagrado entrelaçado nesta paisagem que ainda pode ser descoberto se alguém soubesse como—a respiração primitiva da peregrinação. Longe da retórica de reinvenção política e fracassos de manifestos, o ar parece se rarear diante das transmissões saturadas do desejo insaciável do homem por ser ouvido e entretido. Aqui, o barulho do império recua lentamente quando o silêncio de Deus é bem-vindo.
Nos últimos dias, Jo e eu temos caminhado pelo Cornish Celtic Way, uma antiga rota de peregrinação que celebra um rico legado do cristianismo profundamente impregnado dos ritmos da criação. Foi forjada à margem da sociedade, muito antes da imposição de uma variação mais codificada da nossa fé avançar a partir de Roma. A cada milha percorrida, a cada colina subida e a cada vista dos penhascos varridos pelo vento que se observa, tivemos amplas oportunidades para oração, reflexão e silêncio.
Há uma sensação avassaladora da presença de Deus na beira. Os cristãos celtas os chamavam de “Lugares Finos” porque, nesses locais, acreditavam que o véu entre o visto e o invisível se dissolveu, e o Divino se tornava intimamente relacionável e tangível. É por isso que eram atraídos por ilhas, costas acidentadas, charnecas solitárias, cavernas e lugares remotos. Mas para eles, isso nunca foi escapismo. Tais extremidades não eram tanto um afastamento do mundo, mas sim um passo em direção a Deus. Eles não eram recuos isolados, mas fronteiras de encontro. O deserto sempre foi um ponto de encontro entre o Céu e a terra. Moisés encontrou Deus no deserto. Elijah ouviu Seu sussurro na caverna. João Batista encontrou sua voz profética no deserto.
A alma ouve mais claramente quando outros ruídos desaparecem, e o silêncio se torna o limiar através do qual o temporal e o eterno podem se encontrar.
Enquanto caminho por essa trilha, sou atingido por esta verdade: a peregrinação não é o privilégio exclusivo dos viajantes em litorais remotas ou santos escondidos no deserto, mas um elemento intrínseco do nosso relacionamento com Deus. Embora os Lugares Esmagados possam ser encontrados na beleza da natureza, no fim das contas, eles incentivam a busca por Deus no coração onde quer que estejamos. Pois o Caminho do Peregrino é mais do que um caminho geográfico, é a orientação interior da alma em direção ao seu Criador.